Expectativa: a mãe da (in)satisfação

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Quando não estabelecemos adequadamente as nossas expectativas em relação à temas variados da vida pessoal ou profissional, é grande a probabilidade da frustração bater à porta.  O otimismo extremado é pai adotivo do fiasco e a excessiva dependência emocional sobre ações alheias é mãe da desilusão. Apesar disso, a má gestão das expectativas ainda é uma das principais causas de dissabores às pessoas nos tempos atuais.

Um atleta que usualmente corre os 100 metros em 12.00 segundos, estabelece como meta 11.50 e o faz em 11.00 segundos, estará muito mais feliz que outro que rotineiramente corre a mesma distância em 11.00, estabelece como meta 10.50 e o faz em 10.75 segundos. O primeiro superou suas expectativas, o último decepcionou-se. Em um pódio olímpico, o ganhador da medalha de bronze está muito mais risonho que o detentor da prata.

Uma expectativa bem administrada implica na compreensão da realidade que nos cerca. Precisamos conhecer os nossos limites. Na vida corporativa, entender o funcionamento do ‘ecossistema’ ao nosso redor: clientes, produtos, fornecedores, egos, políticas. Na vida pessoal, evitar que outros sejam sobrecarregados com nossas carências, praticando o desapego ‘ponderado’.

expectativa2Gostemos ou não, o mundo funciona a partir da comparação entre a realidade e a expectativa. Quanto uma determinada economia cresce vis a vis o que os economistas esperavam, qual a variação no preço de uma ação contra as projeções dos analistas de mercado, o quão próximo da meta está o índice de inflação. Pode parecer surpreendente, mas a variação em relação a qualquer número projetado oficialmente é mais importante que o valor absoluto em si. Se a Espanha crescer 1.0% em 2013 e a China 7.0%, a primeira será amplamente celebrada, e a última incisivamente criticada. Não levar flores para quem as espera é muito pior do que esquecer uma data supostamente especial quando isso não é valorizado pelo outro.

Os maiores exemplos de sucesso organizacional que testemunhei foram construídos sobre expectativas moderadas, traduzidas em um orçamento factível. O contrário também é verdadeiro, expectativas irrealistas baseadas em premissas extremamente otimistas, foram as as causadoras dos maiores fiascos, além de chamuscarem a credibilidade dos vendedores de sonhos.

Mesmo com inúmeros exemplos públicos ampliando continuamente o quadro dos fracassos retumbantes, o canto da sereia das promessas irrealizáveis continua atraindo executivos com um magnetismo inexplicável. É possível que o calor da batalha torne as pessoas menos suscetíveis à avaliações racionais, ou simplesmente elas prefiram ser alimentadas pelo doce sabor da ilusão, que cedo ou tarde será desmentida pela realidade.

A maior parte dos êxitos contemporâneos não foram concebidos com projeções iniciais de crescimentos estratosféricos. As circunstâncias ajudaram a catalisar o sucesso. Gates e Jobs começaram em uma garagem, Zuckemberg fazendo comparações entre as fotos de garotas da faculdade. Nenhum deles imaginou conquistar o planeta. Aliás, quando chegaram em um estágio onde isso pudesse ser esperado, perderam a invencibilidade.

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Também na  vida pessoal, se depositarmos permanentemente expectativas de comportamento perfeito nos outros, ‘quebraremos a cara’. Em um mundo de seres imperfeitos como o nosso, estar sempre impecável é simplesmente impossível. Por ‘perfeito’, entenda-se aquilo que nós esperamos.

Não faço aqui uma apologia ao pessimismo, a âncora que previne grandes realizações. Sonhos constroem o futuro, mas sua execução se dá sempre no mundo real. Manter os pés nos chão é o melhor antídoto contra decepções.

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    Renata Muniz

    31 de agosto de 2013 em 22:29

    Olá, Victor!

    Quando puder, leia no blog do jornalista Merval Pereira o texto publicado por ele cujo título é “O Brasil Imaginado”. Ali ele discorre sobre o exacerbado otimismo brasileiro e a incapacidade do povo de construir sua felicidade futura. Em resumo, somos um país que acredita sempre num futuro melhor, mas que dificilmente sabe traçar metas para atingi-lo concretamente. Em nossa cultura, vivemos, basicamente, de alimentar a ilusão. Apesar do cunho político, acredito que vá de encontro ao tema que vc abordou aqui. Ao meu ver, uma questão de maturidade… Abraço!

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