‘Ozartistas dazelites’

‘Ozartistas’ que lideraram o fracassado comício ontem no Rio de Janeiro são os grandes representantes das ‘zelites’ brasileiras, que defendem vigorosamente os privilégios da ‘casta superior’. Um povinho cansativo, superficial e soberbo. Acham-se os reis da ‘cocada preta’, detentores do monopólio da verdade e do saber. Defendem, entre outras coisas, ‘Diretas já’ e o retorno do grande ladrão ao trono do ‘Reino de Propinolândia’.

Alguns, já velhinhos, são nostálgicos. Pensam que estão parados no tempo, há 50 anos, quando de fato havia uma ditadura para se opor que lhes legitimava. Mas quem liga para essa turma? Em um mundo hiperconectado e exponencial, esse pessoal já não é formador de opinião. Qualquer adolescente ‘vlogger’ com um pouco de iniciativa reúne mais gente em um evento que ‘ozartistas’.

E o que vale mais: opinião ‘dozartistas’ sobre política e economia, ou a de políticos e economistas sobre arte? Sem querer desmerecer os poucos que se atualizam sobre esses diferentes assuntos, eles não me parecem os sujeitos mais indicados para alguém buscar conhecimento específico.

‘Ozartistas’ querem derrubar o governo zumbi de Michel Temer, a essa altura estão arrependidos de terem votado nele em 2014, um golpista, que conspirou contra a mais sábia das presidentes, aquela que concebeu essa crise sem precedentes em que o Brasil se meteu. Ah, mas ‘ozartistas’ tem memória seletiva, disso eles não lembram. Também são contra a reforma trabalhista e defensores aguerridos da CLT, apesar de viverem sob o guarda-chuva de suas ‘Pessoas Jurídicas’. Reforma da previdência? São contra, mas ‘ozartistas’ nem sabem o que é isso na prática, nenhum deles vai se aposentar pelo INSS.

Para contrapor os argumentos ‘dozartistas’, vamos lembrar aos nossos ícones da cultura que vivemos em uma democracia, diferentemente de Venezuela e Cuba, e que o lamaçal em que se encontra o Brasil é consequência direta de nossas más escolhas. Quantos ‘dozartistas’ não faturaram um cachezinho bacana em shows bancados por políticos corruptos, não é mesmo? E aquele espetáculo patrocinado por um governo suspeito? Mas como é que ‘ozartistas’ iriam saber disso, coitados. Eles não sabiam de nada. Como o grande chefe que adoram, eles são protagonistas do ‘nada fiz’ e ‘nada sei’.

A solução constitucional para a sucessão do apodrecido governo Temer é por via indireta, no Congresso Nacional. ‘Ah, mas queremos diretas já, pois esses políticos não tem legitimidade para escolher o novo presidente, um terço deles está sob investigação”.

Eu lhes pergunto: quem elegeu os trastes? E se eles não tem legitimidade para escolher um presidente conforme determina a Constituição, por que teriam para alterá-la, conforme o gosto ‘dozartistas’? Racionalmente falando, se não tem legitimidade para ‘A’, então também não tem para ‘B’, certo? Espere aí, estamos tratando ‘dozartistas’, gente que mexe com emoção, nada de colocar lógica e razão na conversa, não combina.

Esqueçamos, por um minuto, o livrinho. Qual a serventia de uma eleição direta para eleger um presidente que governará o país por um ano e poucos meses? Por que é que se coloca tanto valor nesse evento? A eleição que importa é a que ocorrerá em Outubro/2018, onde o país terá a oportunidade de corrigir o grande erro que cometeu em 2014, colocando duas chapas corruptas no segundo turno e elegendo apadrinhados de grandes corruptores para o Congresso. Esperamos, obviamente, que opções decentes estejam disponíveis e que os eleitores estejam ao menos dispostos a cometer novos erros, não repetindo os antigos.

Voltando à pergunta: descrito o contexto, o que estaria por trás dessa vontade incomensurável de eleger um presidente agora? Como o eleito por via direta negociaria com o Congresso, ‘ilegítimo’?

Isso somente se explica por um motivo: ‘ozartistas’ querem o retorno do Alibabá de São Bernardo, o grande mecenas das empreiteiras e da JBS, o pai do ‘nós x eles’. Sua eleição seria o atalho para fugir da prisão. Lamento informar, mas a despeito das pesquisas atuais que lhe conferem uma ilusória liderança, o jararaca hoje somente se elegeria síndico de condomínio no Nordeste, mais nada. Não é a Lavajato que o tornará inelegível, mas sua rejeição nas alturas. É uma causa perdida do nosso ‘patrimônio cultural’.

O mais engraçado é que não vejo manifestação ‘dozartistas’ contra os diversos atentados à Lavajato, planejados na calada da noite brasiliense, dia sim, outro também. ‘Estranhamente’, não se posicionaram contra a depredação do patrimônio público na capital federal na semana passada, produzida por sindicalistas vermelhos enraivecidos pela perda da boquinha. Ah, esses ‘zartistas’. Calam-se diante das atrocidades do governo Maduro convertido em ditadura. São tão contraditórios, nossos cultos e belos. Outro dia assisti a um vídeo de um deles, convocando a população para o grande evento. Esse deve estar ensaiando para interpretar algum viciado da Cracolândia, seu aspecto não era dos mais agradáveis, felizmente o vídeo é inodoro.

Aqueles que me acompanham sabe que nutro uma antipatia especial pelo petismo, não somente pela corrupção, câncer maligno que assola a nossa sociedade, em maior ou menor grau, mas principalmente pela incompetência e pela mentira. A primeira, consequência direta da visão de mundo retrógrada e da promoção da ineficiência através do aparelhamento do estado e a segunda decorrente das diversas narrativas fantasiosas criadas para iludir um eleitorado majoritariamente pobre e ignorante. Ver essa turma empunhar sua bandeira vermelha e sair por aí aos gritos de ‘Diretas já’, fazendo vistas grossas à realidade sujismunda que enlameou seu partido da cabeça aos pés é motivo suficiente para me colocar no espectro oposto aos seus desejos.

De fato, o governo Michel Temer acabou. Devemos sim empurrá-lo para o abismo, quanto antes melhor. Mas há um rito constitucional estabelecido, e a maior ameaça ao Brasil atualmente é um ‘acordão’ dos encrencados para colocar panos quentes na ‘bandalheira’. Esse é o risco. É sobre isso que devemos falar e nos indignar. Onde estão ‘ozartistas’ que não falam do assunto? Eles tem o direito de apoiar quem quiserem, mesmo que sejam ex e futuros presidiários, mas nós também temos o direito de criticá-los por isso e demonstrar, a partir da irrelevância de suas manifestações, que a classe ‘dozartistas’ está bem longe de representar os anseios da população. Afinal, o Brasil não é o programa do Faustão, onde todos vão falar ‘groselha’, receber elogios e chorar em público.

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