O fato mais interessante sobre a nomeação de Luis Fachin

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Há mais de cem anos que qualquer indicação ao STF feita pelo presidente é aprovada pelo Senado. Dizer que isso é uma vitória política de Dilma Roussef é o mesmo que afirmar que uma vitória da seleção brasileira sobre as Ilhas Fiji tem alguma relevância.

A prerrogativa da escolha dos ministros é da Presidente da República. É mais do que óbvio que ela indicará sempre alguém ideologicamente alinhado a suas ideias. Seria muita inocência esperar algo diferente. São as regras do jogo. Às vezes, o tiro pode sair pela culatra, como no caso do Joaquim Barbosa, indicado por Lula ( e seu confesso eleitor) e que veio a se tornar uma pedra no sapato do petismo.

Tecnicamente, não há quem desabone o novo ministro. O que ouço de amigos conterrâneos é que trata-se de um excelente professor. Ou seja, já é melhor que o Toffoli, que além de ter sido funcionário do José Dirceu, era desqualificado para a função. Na época, não houve essa celeuma toda com sua indicação, pois o governo que o nomeou era forte e popular.

Do ponto de vista prático, poderia ser pior: imaginem um outro Toffoli, ou Lewandowiski. Será que o Fachin agirá como eles? Ou como Barroso, o redentor dos mensaleiros? Ou terá uma postura independente? O tempo dirá, e não tardará em fazê-lo.

O elemento mais interessante que aflorou com esse caso é a constatação de que o bairrismo está entre nós. O Paraná se uniu em torno do nome do novo ministro, principalmente pelo fato do estado não emplacar um integrante do STF desde o final do século XIX. Fosse o Fachin quem é, mas atuante em qualquer outro estado da Federação, duvido muito que obtivesse unanimidade entre os paranaenses. E para quem acha isso uma bobagem, melhor ponderar antes da crítica. É possível que fenômeno semelhante ocorresse se houvesse um Fachin mineiro, cearense, baiano. O sentimento que moveu esse apoio incondicional é o mesmo que alimenta a eterna rivalidade entre paulistas e cariocas ( não vamos negar o óbvio, ela existe). Mas o que realmente me chamou a atenção foi o fato de que o bairrismo pode prevalecer sobre divergências políticas agudas, algo bastante relevante no contexto de um Brasil dividido.

O Paraná, enfim, tem um ministro do STF. Só que o Fachin….é gaúcho…

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    Márcia

    20 de maio de 2015 em 10:19

    Que pena que indicações são, muitas vezes ou quase sempre ou SEMPRE, baseadas em interesses próprios e não apenas visando o país e seus interesses em prol à população. Tomara que esse ministro tenha coragem e dê um Bah!!!!

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