Inadequado para principiantes

Luciano Huck desistiu pela segunda vez da sua candidatura que nunca chegou a nascer. Ainda é cedo para dizer se haverá uma terceira desistência. O apresentador- empresário estava realmente interessado em fazer do Brasil uma espécie de protagonista do quadro ‘lata velha’.

Dizem que a decisão foi tomada com um certo pesar. Nada garante que pesquisas futuras não o recoloquem na corrida eleitoral, mas a verdade é que apenas o fato de seu nome estar em evidência bastou para que um noticiário desfavorável predominasse na mídia. Imagine a devassa em seus 45 anos de vida, caso ele realmente levasse a ideia adiante. Para quem não é do ramo, essencial é ter muito estômago para aguentar o tranco.

Independentemente do juízo de valor sobre a candidatura Huck, sua desistência prematura traz consigo a desalentadora conclusão de que é quase impossível a produção de um ‘outsider’ dentro do nosso sistema político atual. Para o bem ou para o mal, a probabilidade de alguém surgir do nada e ganhar uma eleição para presidente é baixíssima. Uma estrutura partidária minimamente organizada é imprescindível para vencer e posteriormente governar o país. Uma novidade, se bem sucedida, teria que ser fomentada dentro dos quadros existentes.

Em outras palavras, é muito provável que as candidaturas presidenciais não fujam das opções que já estão sobre a mesa, o que é uma péssima notícia. Por outro lado, o anseio de mudança deve ser canalizado para as eleições legislativas. Uma renovação na Câmara e no Senado proporcionará o surgimento de novas lideranças, que no futuro poderão alçar voos maiores.

Se o interesse de Huck em participar da vida pública for realmente genuíno, ele poderia desapegar do desejo pelo Palácio do Planalto e se contentar com uma vaga para deputado ou senador. Afinal, a experiência legislativa é fundamental para o sujeito ganhar traquejo, musculatura. Mas a mosca azul parece tê-lo picado. É tudo ou nada. Nesse caso, nada.

Infelizmente a eleição presidencial deve monopolizar as atenções da população, em detrimento dos outros pleitos que ocorrerão simultaneamente, de mesma relevância, porém subestimados. Não há ‘salvador da pátria’ que consiga ser efetivo com um Congresso de baixa qualidade. Os bilionários esquemas de corrupção da era petista prosperaram com exemplares desse ‘naipe’. O ideal é que a eleição para presidente ocorresse em momento distinto das demais, coincidindo com as prefeituras. Talvez dessa maneira as eleições legislativas ganhassem importância e os novos Huck s avaliassem começar de maneira mais modesta.

Eis uma utopia. Na prática, é provável que os candidatos a presidente comportem-se como mensageiros divinos, portadores de boas novas, com soluções simples para problemas complexos. E quando um deles assumir o abacaxi, terá que governar com o apoio de um Congresso sedento de cargos e trocas de favores. O Brasil não é para amadores. Huck deve ter concluído isso ao optar por permanecer em seu lar, doce lar, ao invés de se meter em uma ‘gelada’…

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    Ligia Maria de Oliveira Moraes

    17 de fevereiro de 2018 em 16:05

    Seu texto reflete bem nossa realidade política, eleger Luciano Huck pra presidente é uma furada, vai continuar a corrupção, o Brasil não é pra principiante, temos que começar a faxina no senado e no congresso.
    Que Deus nos ilumine!

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