Um desalento: A operação ‘Aniquilajato’

Em poucos dias, a já ‘idosa’ operação Lavajato foi bombardeada por três tiros de canhão visando seu futuro aniquilamento.

Augusto Aras, procurador geral do MPF e crítico histórico da força tarefa, fustigou o ‘lavajatismo’, pregando o seu fim, e colocou sob suspeição todo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos pelos seus colegas, sem obviamente nenhuma prova fundamentada além da sua conhecida opinião pessoal, para o delírio dos advogados dos grandes corruptos do Brasil.

Sua excelência Dias Toffoli, do trono em seu providencial plantão, resgatou do purgatório o senador José Serra, alvo da operação, cujo centro de gravidade se deslocou para São Paulo. Em uma canetada proibiu a continuidade do processo, que já estava andamento. Agora caberá ao excelentíssimo Gilmar Mendes avaliar o caso na volta das férias. Nem precisamos imaginar o desfecho.

Nos corredores da Câmara, ganha força a abertura da CPI da Lavajato, que obviamente será criada com o único intuito de desmoralizá-la. Odiada pela politicalha, a força tarefa, convenientemente utizada como trampolim eleitoral está agora abandonada a ‘ Deusdará’. CPIs nunca serviram para nada além de fazer espuma, mas dessa vez o STF pode fazer mau uso do espetáculo circense a ser executado no Congresso para atenuar a situação de alguns figurões corruptos, quem sabe liberar Lula para disputar as eleições. Dizem que seria um desejo secreto de Jair Bolsonaro, que polarizando a disputa contra o decadente líder petista praticamente garantiria sua reeleição. A confirmar.

Parece que evitar o esfacelamento da Lavajato ou intensificar o combate à corrupção não estão na agenda prioritária do governo, afinal foi Bolsonaro quem nomeou Augusto Aras, à época já um conhecido detrator da operação. Mas a prova de fogo para dirimir qualquer dúvida a esse respeito se dará por ocasião da nomeação do substituto de Celso de Melo, que se aposenta em Novembro. O decano é o voto de minerva em decisões apertadas, onde o ‘status quo’ normalmente tem prevalecido por 6×5, sendo a prisão em segunda instância a mais proeminte de todas as polêmicas.

Essa, aliás, foi a maior derrota já sofrida pela Operação até hoje e para restituir o entendimento anterior bastaria a entrada de um ministro favorável ao tema. Está nas mãos de Jair Bolsonaro nos devolver a esperança de que o combate à impunidade não foi em vão. Não fazê-lo seria algo imperdoável. Uma possível nomeação de Augusto Aras para essa vaga ou qualquer outro alinhado à tese atual de ‘enésima instância’ seria um tapa na cara de todos os seus eleitores, uma realidade difícil de ser explicada até pelos grandes passadores de pano. Por ora, trata-se de um receio. Que não se torne realidade.

Todos esses acontecimentos recentes indicam que temos um ambiente amplamente desfavorável não somente à Lavajato, que já cumpriu seu papel, mas principalmente ao surgimento de outros esforços de caráter semelhante. Hoje é uma missão impossível colocar um corrupto na cadeia no Brasil, e as forças do ‘establishment’ farão o que estiver ao seu alcance para que esse cenário mantenha-se indefinidamente.

Não deixa de ser uma ironia o fato de que o sepultamento de nossas esperanças em acabar com o Reino da Impunidade possa vir a ocorrer justamente no governo daquele que mais a combateu em passado recente.

Espero que a realidade me desminta, mas normalmente quando você avista um animal com focinho, orelha, barriga e rabo de porco, não consegue transformá-lo em um cão…

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1 comentário

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    Nilo

    31 de julho de 2020 em 18:30

    Parabens Victor reflete a realidade que teve um “ help “ voluntario ou nao do Sergio Moro cuja ida para o governo acabou num desastre ! Abc

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