Reflexões ‘covidianas’ I – A ausência de abraços

Segundo relatos de amigos que vivem na Europa, o período em que o país encontra-se no pico ou próximo dele é o de maior tensão social. Todos nervosos e angustiados, a mídia converte-se em um desfile funerário, o acompanhamento do noticiário torna-se insuportável e o reservatório de paciência das pessoas chega no ‘volume morto’. As redes socias tornam-se palco de xingamentos, mais do que usualmente são, e nos sentimos todos como em um barco à deriva, prontos para o naufrágio.

É o nosso momento atual. Mesmo que pairem dúvidas sobre o pico que está próximo, mas que parece nunca chegar, estamos há 10 semanas nessa tortura psicológica infernal, e a realidade é que ninguém aguenta mais…

Os europeus começaram a sair da toca há alguns dias, isso até já aconteceu no Brasil resiliente à doença, e logo todos desfrutaremos dessa carta de alforria parcial. Sim, por que mesmo após o retorno gradual, vários dos nossos hábitos serão sacrificados por um bom tempo.

Nada de expressar nossa latinidade com apertos de mão, tapinhas nas costas, beijos e abraços. No máximo um sinal com a mão e um olá com as sobrancelhas. Aglutinações somente em filmes ou em recordações gravadas em vídeos, um Brasil sem festas. Será que perderemos nossa essência?Sem contar que a nossa rotina de mascarados será estranha. Além da falta de contato, rostos ausentes. Coloque um boné e óculos escuros e teremos a visão de foras da lei.

Dizem que será o novo normal. Embora ainda não estejamos vivendo essa rotina mascarada e desinfetada, já estou com saudades do velho. Não bastasse a pressão emocional desee período de confinamento aliado ao medo e à incerteza sobre o futuro econômico, voltaremos ainda sob a ameaça do vírus, que ditará as novas regras de convívio social até que surja uma vacina vitoriosa que nos devolva a liberdade plena.

Vai melhorar, mas será um processo longo e que nos demandará muita força de vontade. Um dia a menos para o final da crise.

8 Comments
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8 Comentários

  1. Avatar

    RENATO DIAS

    29 de maio de 2020 em 00:00

    EXCELENTE.

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    Andre Simoes

    29 de maio de 2020 em 00:39

    Acompanho constantemente suas publicações sobre o Covid no LinkedIn, são ótimas. Sem ideologia política e com um otimismo sensato.
    . Parabéns pelo trabalho.
    Abraços

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    Hamilton Rosa Junior

    29 de maio de 2020 em 07:55

    Como sempre, lúcidas sua reflexões. É hora de praticarmos muito o exercício do pensamento reflexivo, da consciência do momento, de como lidarmos com uma situação nova, nos relacionamentos, nos lares, com os outros na rua, no trânsito, no trabalho, enfim, repensarmos atitudes.
    Levo nesse momento uma máxima: Estamos no início dos dias do resto de nossas vidas, e como a vida é única e tem um valor inestimável, caminhemos com serenidade, fé, esperança e acima de tudo, sejamos e façamos felizes quem tiver a sorte de cruzar os nossos caminhos!!!
    Parabéns Victor por fazer de sua vida um farol para a vida de muitos.
    Um abraço.

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    Fernanda

    29 de maio de 2020 em 09:35

    Curti! Continue! 😉

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    Sidney

    29 de maio de 2020 em 09:38

    Não existe formula ou método de vida para enfrentar este cenário, nem a ciência postulou reflexões exatas sobre, mas o fato é que por bom senso vale a máxima “mente sã, corpo são”, que tirem suas conclusões!

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    ISABEL CRISTINA MOREIRA DA ROCHA SAMPAIO

    29 de maio de 2020 em 10:32

    Comecei a seguir vc faz umas 2 semanas e estou gostando muito , além de ser um grande matemático , vc é uma pessoa humana e sensível !!!
    Minha ansiedade melhorou muito depois que comecei a acompanhar o seu trabalho !
    Obrigada!

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      Victor

      31 de maio de 2020 em 14:29

      Obrigado, Isabel 🙏

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    sonia pedrosa

    29 de maio de 2020 em 11:31

    Estamos vivendo um cenário aterrador, mas com esperança de que tudo volte ao normal. Mas, será que volta? Vez por outra, tenho crises de choro. Odeio constatar que 2020 será um ano perdido – sem encontros, sem celebrações, sem aniversários, sem viagens… Quem me conhece sabe o quanto sou apegada à vida – sofro ao vê-la passar tão rápido. Sou daquelas pessoas que, nos fins de semana, costumam acordar mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada, para o dia se tornar mais longo.
    Eu me sinto como há 25 anos, quando tive a primeira crise de Esclerose Múltipla: não tinha dores, era apenas o lado direito do corpo paralisado e o desequilíbrio. Passava meus dias sentada numa poltrona, vendo a vida passar, sem participar. Foram os dias mais tristes da minha vida.
    Por sorte do destino, continuo trabalhando em casa, mas a sensação de assistir à vida passar é a mesma.

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