Uma radiografia da temporada 2019

8 de dezembro de 2019 Por Victor

Terminada a temporada futebolística de 2019l, faço algumas considerações:

É óbvio que detestei ver o Flamengo campeão brasileiro e da Libertadores, mas admito que seu título fará bem ao nosso futebol, até então monopolizado por treinadores retranqueiros para quem 1×0 é goleada. É claro que o time do Flamengo, uma seleção do 1 ao 11, ajuda. Mas a maioria dos treinadores brasileiros, se tivesse a mesma matéria prima em mãos, não obteria desempenho semelhante. Ou vocês acham que Felipão e Carilli, últimos campeões e especialistas em retranca, fariam igual ao Jorge Jesus com a mesma equipe? Em tempo, o título rubro-negro foi semeado há 7 anos, quando Bandeira de Melo assumiu a presidência do clube e trouxe profissionalismo e racionalidade à sua gestão. Água mole em pedra dura…

Falando em técnico estrangeiro, que trabalho espetacular fez o Jorge Sampaoli com o Santos, um time que no papel brigaria no máximo por uma vaga de rescaldo na Libertadores. Foi vice com pontuação de campeão, não fosse o Flamengo em um ano mágico, poderia estar celebrando hoje. Se não renovar com o Santos, algum time brasileiro tem que contratá-lo, pois se trata de uma influência positiva em nossos gramados;

Fantástica a temporada do Athlético PR, que ganhou a Copa do Brasil com todos os méritos e terminou o Brasileirão em quinto. Isso vem na sequência de um título de Sul-americana. Mais um ano de alto nível como os dois últimos e o clube entra em definitivo na lista das grandes forças do futebol brasileiro, por mais que a crônica esportiva do eixo RJ-SP desdenhe dos seus feitos;

Não menos surpreendente foi a campanha do Fortaleza, campeão do Nordeste e nono lugar no campeonato, somente 3 pontos atrás do medíocre Corinthians. Não fosse Rogério Ceni ter feito a bobagem de abandonar o clube no meio da temporada por alguns jogos e se juntar ao moribundo Cruzeiro, o tricolor cearense poderia estar comemorando uma vaga na Pré Libertadores. Ceni, por sua vez, está ganhando musculatura como técnico. Fala-se que seu próximo destino é Curitiba, à frente do Furacão. Seria uma combinação muito interessante;

O Cruzeiro, considerado um dos favoritos antes do início do campeonato, seguiu à risca o manual dos times grandes rebaixados. Termina a competição com pífios 36 pontos e vai amargar um sabático ano que vem. Mais do que justo. Agora só restam 3 clubes que nunca experimentaram a Segundona em Brasileiros: Santos, Flamengo e São Paulo. Em 2016, essa lista era composta por cinco…

Exceto o Flamengo, o futebol carioca segue à míngua, com seus clubes entre a posição #12 e #14. O Vasco parece dar sinal de vida, apoiado por sua imensa torcida que demonstrou muita força, particularmente na reta final do campeonato, pressionada pelo sucesso do arqui rival. Torcida ajuda, mas não entra em campo. Quando o time é ruim, não há milagres. Se o trio não se reforçar decentemente para o ano que vem, o fiasco se repetirá em 2020;

Se serve de estímulo ao trio carioca, dinheiro não é tudo, e não pode servir de desculpa para resultados ruins. Vide o Santos, com uma temporada brilhante para a categoria do elenco e o contra exemplo do milionário Palmeiras, mostrando a todos que é possível fazer péssimas escolhas com um orçamento quase infinito. O alviverde passou o ano em branco, mas pior do que isso, não chegou nem perto de disputar o título nas quatro competições em que participou;

São Paulo e Corinthians foram premiados com uma vaga na Libertadores (o alvinegro terá que disputar a pré, um risco) só por que a competição Sul-americana comoditizou as vagas para os brasileiros. Convenhamos, 8 times é demais. Mas se mantiverem o futebol insosso que estão jogando não devem ir muito longe. Começarão 2020 com jovens treinadores que estão no grupo das boas promessas do futebol brasileiro, o problema aqui é a notória impaciência de dirigentes, torcida e crônica esportiva com essas novidades. Pedem por algo novo, mas não bancam o risco até o fim. Não me surpreenderia se ao menos um deles perder o emprego após um insucesso no campeonato Paulista;

Ano que vem teremos Bragantino, turbinado pela Red Bull, Sport, Coritiba e Atlético GO na primeira divisão. Dois ex campeões brasileiros e um ex vice. Será o grupo mais forte dos últimos anos a acessar a elite. Não temos aqui a tradicional barbada para o rebaixamento (como eram CSA e Avaí), tende a ser uma competição mais acirrada na metade de baixo da tabela;

Ver times jogando ofensivamente como Flamengo, Santos, algumas vezes o Athlético PR e Grêmio é um alento para o torcedor que ainda tem paciência para assistir ao futebol burocrático da seleção Brasileira. O calendário de amistosos caça níqueis, normalmente contra equipes de segundo escalão do futebol mundial, não ajuda muito, mas isso não justifica a bola quadrada que temos jogado. É hora de renovar. Provavelmente, a burocrática CBF só vai se dar conta disso quando a pressão da opinião pública estiver mais do que insuportável.

É isso, vamos ver o que 2020 nos reserva para a mais importante entre as coisas desimportantes: o futebol.

E antes de terminar, gostaria de registrar meu desejo de torcedor para o ano que vem: que o Vasco esteja à altura de sua torcida.