Um fiasco planetário

O traficante Manoel Silva Rodrigues, segundo-sargento da Aeronáutica, foi preso hoje pela polícia espanhola com 39Kg de cocaína em um avião da FAB da comitiva do presidente Jair Bolsonaro.

Não li ainda nenhuma referência a ele como traficante, mas esse é o termo com o qual se deve designar quem anda com quase três arrobas de droga na mala, certo?

Após a divulgação de vários memes divertidíssimos (FAB Assunção, Bolso Narcos, entre outros), descobre-se que o sargento traficante já havia feito 29 viagens no Brasil e exterior desde 2011, várias delas com o staff presidencial. Se traficou drogas durante o período, jamais saberemos, mas é bem possível.

É claro que o presidente não tem nada a ver com isso, mas tentar impedir no grito a proliferação de memes é inútil. O bom humor do brasileiro é genético e deixar passar um evento desses em branco seria um desperdício de boas piadas.

O episódio, entretanto, é vexatório. Uma vergonha global. Que tipo de leitura alguém em qualquer rincão do mundo faria da situação? Trata-se de evento típico de uma República das Bananas. A segurança aplicada aos aviões presidenciais é compatível àquela que a população recebe do estado. Ninguém em sã consciência imaginaria algo semelhante nos EUA, Alemanha, Japão, China, França, correto?

Já tivemos comitivas presidenciais flagradas com gastos exorbitantes nos cartão corporativos, em banquetes regados a vinhos caros e hotéis de luxo. Sabe-se lá o que mais essas viagens nababescas proporcionaram aos cofres públicos em seus históricos, mas calhou ao Bolsonaro ser o titular do poder executivo na primeira missão presidencial manchada com pó branco. Azar ou incompetência, não importa. Estará registrado na história.

Outro discurso que cai por terra com o evento é o da pretensa supremacia dos militares em relação aos demais cidadãos quando o assunto é honestidade. Tráfico de drogas certamente não é uma atividade no rol das mais íntegras e um militar tripulante de um avião presidencial ser descoberto como traficante não é um bom cartão de visitas para a difusão das virtudes da casta. É claro que não se pode denegrir uma instituição por um caso isolado, mas também não deixa de ser uma ironia do destino que o evento tenha atingido justo aqueles imbuídos da missão de resgatar a moralidade na política, segundo o próprio presidente.

Não se pode negar que o Brasil é um dos maiores produtores de situações patéticas e bizarras do planeta. Rir para não chorar…

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