Tempo (in)útil?

25 de maio de 2019 Por Victor

Já escrevi em outra ocasião sobre as diferenças entre a vida emprendedora e a corporativa, a partir de uma breve experiência com a primeira há alguns anos. Não pretendo chover no molhado, o foco desse texto será uma característica particular da jornada que abracei há um mês, um elemento transformador da qualidade de vida, para o qual não há equivalência em grandes empresas: a gestão do tempo.

À medida que as corporações se tornam maiores e mais complexas, aumenta a ineficiência na utilização das horas de trabalho de seus executivos. São comuns as reuniões com vários presentes, nas quais sua participação efetiva se resume a poucas frases, quando muito. Em outras tantas, você participa como ouvinte. Ao final de uma longa jornada diária, se o sujeito contabilizar quantas horas foram efetivamente produtivas e agregaram valor para o cumprimento de seus objetivos, terá a desagradável conclusão que boa parte de seu tempo foi para a lata de lixo, não serviu para nada.

Grandes corporações são engrenagens gigantescas que funcionam à revelia de seus colaboraddores e como mais uma peça do ecossistema, suas possibilidades de remar contra a maré são exíguas. É quase impossível rebelar-se, existe o risco de que a ‘máquina’ lhe transforme em um pária. Com o tempo vem o hábito, que torna sua percepção de desperdício nebulosa.

Nesse contexto, a sensação de ser dono de sua agenda é libertadora. Investir tempo no que realmente importa e não naquilo que a engrenagem recomenda traz um ganho espetacular na sua produtividade individual e consequentemente à satisfação após um dia de trabalho. Reuniões cansativas ou desagradáveis não estão excluídas, mas sim as inúteis. Esse escriba não é detrator da governança corporativa, obviamente indispensável e muitas vezes ausentes nas pequenas empresas, mas os excessos são nocivos. Livrar-se deles foi a melhor novidade nesse primeiro mês do resto de minha vida profissional.

Tenho a impressão que a baixa produtividade da agenda é algo inevitável nas grandes corporações, uma característica inerente à sua complexidade. Quanto à vida empreendedora, as agruras são distintas, temas para outros textos.

Não há dúvidas que seu tempo rende muito mais, o que é um deleite para quem o coloca como prioridade. Eis um presente que a vida de empreendedor oferece aos que a abraçam: tempo útil!