Em breve: cadeia

A presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, divulgou com antecedência a pauta a ser avaliada pela corte no mês de Abril e nela não consta a discussão da prisão a partir da segunda instância. Essa decisão coloca o ex-presidente Lula muito próximo de uma temporada na cadeia, mesmo que breve.

Refratária às pressões que tem recebido de políticos e da ala lulista do Tribunal, incansável até conseguir reverter a decisão mais importante da história do Brasil no combate à impunidade, Carmem tem cumprido o que verbalizou tão logo o TRF confirmou a condenação do molusco mais querido: se dependesse dela, o STF não se apequenaria, já que não há motivos para incluir na agenda um assunto já discutido em plenário . De fato, seria vergonhoso.

Sabemos que mesmo após a votação de 6×5 pró prisão , alguns ministros seguem libertando condenados em segunda instância através de habeas corpus. O destino de um preso nessas condições, quando o pedido de soltura chega ao STF, depende da sua sorte em ter o caso avaliado por julgadores mais benevolentes. Nossa corte Suprema esforça-se para ser o maior gerador de insegurança jurídica do país.

Lula trilhará esse caminho. Após sua prisão, a ser decretada provavelmente ainda em Março, ele apelará de todas as maneiras possíveis, mas o fará como morador da cadeia. Não podemos afirmar em quanto tempo ele sairá do xadrez, pode ser um par de dias ou até alguns meses. Na pior das hipóteses, em Setembro, quando seu apadrinhado Dias Toffoli assumir a presidência do STF. Ele certamente quebrará o galho do ex-chefe.

O alento é que nesse período seremos poupados do turbilhão de bobagens que Sua divindade alma mais honesta nos faz ler e ouvir quase diariamente. A parte petista da imprensa ficará órfã de seu grande ídolo, restarão manchetes sobre banhos de sol e a qualidade da marmita na penitenciária. Quem sabe a notícia sobre a dupla de truco que o chefe fará com seu companheiro Cabral, desafiando Cunha e Palloci. Se bem que os dois últimos estão mais para jogadores de pôquer.

Mesmo que efêmera, a prisão de Lula será uma vitória da nova justiça brasileira. A mesma que já colocou atrás das grades ex-presidentes da Câmara, ex-ministros, ex-governadores, empreiteiros e empresários bilionários, lobistas, doleiros e políticos influentes, de vários partidos. Para muitos, nosso judiciário não teria coragem de encarcerar um ex-presidente, tão popular e carismático quanto o Sr. Luis Ignácio. Eu admito que estava nesse grupo, mas considerando a sucessão dos acontecimentos, concordo que somente algo surpreendente o livrará da prisão. Em se tratando de Brasil, um país ainda acostumado à parcialidade das leis que protegem sua elite, será um dia histórico.

Ao invés do grande líder, impossibilitado de falar, teremos que ouvir as ladainhas de Gleisi Hoffman e Lindberg Farias, ambos candidatos ao xilindró assim que perderem o foro privilegiado. Assistiremos a um vídeo dos artistas bacaninhas do Leblon, pedindo liberdade ao corrupto mais famoso, intelectuais de araque afirmando que o meliante é um preso político, pesquisas do Datafolha colocando o presidiário em primeiro lugar nas intenções de voto que ele jamais disputará. Provavelmente, presenciaremos mensagens de solidariedade de Michel Temer, FHC, José Sarney, Fernando Collor e Dilma Rousseff. Confesso que estou ansioso pelo conteúdo da declaração da mais inepta. Nada disso apagará a passagem do ‘Messias’ pelo cárcere.

Seria ótimo que ele desfrutasse ao menos algumas semanas de cadeia, assim o Brasil aprenderia que não há nada demais em ter um cidadão como Lula preso, afinal, ele já foi condenado por um tribunal e outras condenações se avizinham no horizonte. Após alguns dias de comoção aqui e ali, tudo voltaria à normalidade. Experimentaríamos uma sensação de civilidade, tão rara por essas bandas tropicais.

A prisão desse sujeito fará um bem danado ao Brasil, mesmo que seja breve. Mas será eterna enquanto durar…

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