A conversa fiada da reconciliação nacional…

Leio aqui e vejo acolá depoimentos de gente que prega uma tal ‘reconciliação nacional’, tendo como pano de fundo o desejo de ‘fora temer’. O prevaricador funcionaria como elo de ligação entre todas as vertentes políticas do país, unidas no objetivo de livrar-nos de todo mal, ‘amém’.

Alto lá!

Eu não votei no Temer, não o apoio, gostaria de vê-lo fora do Palácio do Planalto, mas não preciso me reconciliar com ninguém. Por princípio, a reconciliação ocorre entre partes que já estiveram juntas ou alinhadas e por alguma razão se desentenderam. Eu nunca me alinhei ao petismo, nem compartilho de sua ideologia populista, sindicalista e estatista. Portanto, não devo, nem posso me reconciliar com quem empunha a bandeira vermelha.

É importante não apagar da memória que Michel Temer foi comparsa do petismo durante treze longos anos, durante os quais desfrutou, conjuntamente com seu partido, do esquema industrializado de corrupção concebido pelo grande chefe e hoje condenado, Jararaca. Muito embora o PMDB tenha sido mero coadjuvante na área econômica, onde o PT pintou, bordou e nos lançou ao abismo, é no mínimo culpado por omissão.

Todos os corruptos enrascados do governo atual eram personagens relevantes no período Lula-Dilma. Então quando se fala de reconciliação, a que nossos ‘intelectuais’ estão se referindo exatamente? Querem dar as mãos aos baderneiros do MTST ou aos pelegos da CUT? De jeito nenhum.

Depois desses parágrafos, não tarda para alguém me chamar de tucano. Sai para lá! O fato de eu ser um crítico áspero do petismo e suas práticas não me transforma em correligionário do PSDB. Como sabemos hoje, o rabo preso da tucanada era fator determinante para sua oposição frouxa durante a era lulo-dilmista. Sua falta de pulso e assertividade também ajudou o Brasil a trilhar o caminho do caos.

Tão grande quanto minha repulsa ao banditismo é o meu apreço à racionalidade econômica com viés liberal e considero que esse é um princípio importante na hora de decidir por uma aliança de cunho político. Ambos os valores me permitem elogiar ao mesmo tempo a postura ética da Rede e a reforma trabalhista do governo Temer, mas também me impedem de caminhar lado a lado daqueles que por negligência, má fé ou incompeténcia, conduziram o Brasil à pior crise de nossa história, sacrificando uma ou até mesmo duas gerações.

Para quem ouvia quando criança que o Brasil era o país do futuro, assistir ao tombamento dessa possibilidade nessa vida, proporcionado pelos desmandos do petismo, é algo intragável, imperdoável.

O governo Temer, trôpego e repleto de acusados de corrupção, provavelmente completará o percurso de 16 meses que lhe resta. Quem sabe consiga entregar o país em melhores condições que o recebeu no aspecto econômico. É um mal passageiro, com data para terminar.

O que ainda não terminou é o petismo, com seu desejo insaciável de converter o estado em padrinho de todos, aparelhá-lo ao extremo para doutrinação dos seus afilhados e gastar dinheiro público como se não houvesse amanhã, sem contar a aliança com os donos do capital, a quem fingem combater, através de um capitalismo de compadre que ruboriza de vergonha os mais puros socialistas. Isso ainda habita a mente de milhões de brasileiros inclinados a conceder seu voto à alma condenada mais honesta desse país, sob a falaciosa alegação de que nos tempos do Lula era melhor. Ah, bons tempos em que o preço das commodities estava no céu e seus produtores foram amplamente beneficiados, entre eles o Brasil, que desperdiçou uma oportunidade histórica de mudar de patamar em termos de desenvolvimento. Mas essa é uma conversa muito complexa para o povão.

Com o devido respeito à opiniões divergentes, considero extremamente prejudicial ao Brasil que o grupo que nos levou à bancarrota continue na espreita, como uma sombra a ameaçar o futuro. O pior é que eles sequestraram a esquerda digna, que se conforma e silencia diante da liderança carismática e autoritária do grande chefe. Ao fazer isso, se apequenam diante da história e tornam-se cúmplices de suas escolhas.

A integridade é um princípio inegociável, tanto quanto a ideologia. Jamais me juntaria a apoiadores de ditaduras como a cubana e venezuelana só por que eles desaprovam o Temer (em quem votaram). Também nunca convergirei com quem vê no estado a salvação para tudo, mesmo não sendo um ultra liberal.

Cada macaco no seu galho, vamos parar então com essa conversa fiada de reconciliação nacional!

 

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