Getúlio: Dos anos de formação à conquista do poder

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Quando decidi encarar os três volumes de Lira Neto que contam a história de Getúlio Vargas, sabia que seria uma jornada longa, de quase 1.400 páginas em três volumes. Receava que a leitura fosse enfadonha, daquelas que você sente vontade de abandonar pelo caminho. Felizmente, já nos primeiros capítulos a narrativa fácil, jornalística, neutra e recheada de detalhes relevantes que muitas vezes transcendiam o universo getulista nos  deixa claro que estamos diante de uma magnífica peça literária e histórica.

Getúlio Vargas talvez seja o mais enigmático personagem político da história do Brasil. Exerceu a função de chefe de estado por 19 anos, o mais longevo e certamente inigualável poder individual do Brasil republicano. Foi golpista, ditador e presidente eleito democraticamente. Fez aliados à esquerda e à direita, e rompeu com eles, indistintamente. Para muitos, o responsável pela transição de um Brasil agrário para uma sociedade urbana, o primeiro governante a se preocupar com a emergente classe operária, o pai dos pobres. Para outros, o precursor do populismo e da utilização da propaganda política como forma de arregimentar o imaginário popular. Possivelmente a verdade esteja no meio das versões extremas, mas é irrefutável sua importância na história brasileira, e uma das razões do êxito da obra de Lira Neto é concentrar seus esforços nos fatos e análise do contexto histórico, sem fazer juízo de valor sobre o personagem, atividade que ele deixa a cargo do leitor.

Nascido na pequena São Borja (RS) em 19.04.1882, Getúlio Dornelles Vargas foi o terceiro filho da prole do estancieiro Manuel Vargas e Cândida Dornelles, ambos representantes de famílias politicamente importantes e rivais na região. Os Vargas eram pica-paus, republicanos detentores do poder nos pampas. Os Dornelles eram maragatos, federalistas e opositores ao status-quo. Os dois grupos ainda refletiam a cisão na política gaúcha concebida durante a guerra farroupilha na década de 1860. Na virada do século passado, os estados gozavam de mais autonomia e seus governantes eram chamados de presidentes. Júlio de Castilhos, um pica-pau, dominava a ação política no Rio Grande desde 1891, quando assumiu o governo. Admirador do positivismo de Augusto Comde, tinha milhares de seguidores fiéis ao seu estilo e ideias, entre eles o patriarca dos Vargas, e foi a primeira grande influência política de Getúlio.

Uma passagem interessante de sua infância foi quando ele e seu um amigo Gonzaga se embrenharam no matagal da fazenda e passaram muitas horas desaparecidos. Um contigente foi escalado para as buscas e nada de encontrá-los. À noite, Manuel Vargas ainda os esperava para o jantar, com a surra programada, e os meninos não apareciam. Ambos, a essa altura permaneciam em um umbuzeiro, cientes de que um retorno, àquela altura, significaria intensa reprimenda. Getúlio contrariou seu amigo Gonzaga, que naquele momento desejava voltar à fazenda e entregar de bom grado o lombo às palmadas do patriarca, e o convenceu a passar a noite ali. Apenas na manhã seguinte, quando o desespero e as lágrimas tomavam conta da família, Getúlio decidiu que finalmente havia chegado a hora da rendição. O alívio por rever os guris são e salvos dispensou ambos do castigo. Décadas mais tarde, Vargas mencionou o episódio em uma entrevista, com uma conclusão que escancarava uma de suas características marcantes: ” Quando a circunstância não se mostrar garantida, o melhor a fazer é esperar, resistir, transformar o tempo em aliado. Jamais descer do umbuzeiro antes da hora”. Ao longo de sua trajetória, essa foi uma estratégia recorrente. Nem sempre teria êxito.

Getúlio foi um bom aluno do curso de Direito em Porto Alegre. Envolveu-se na política estudantil logo cedo, pertenceu ao bloco acadêmico castilhista, foi colunista do diário ‘O debate’ e alinhado com o então presidente estadual Borges de Medeiros, caudilho substituto de Julio de Castilhos, que o nomeou Promotor público estadual aos 25 anos. Exerceu a função por pouco tempo, pois retornou à sua cidade natal para envolver-se com a política local. Foi eleito deputado estadual em 1909, aos 27 anos. Na época, o exercício da função legislativa não consumia mais que dois meses por ano, o que lhe permitia também exercer a advocacia. Em Março de 1911, casou-se com Darcy, filha de influente empresário da região, então com apenas 15 anos. Como muitos daquele tempo, o casamento foi um acordo de conveniência que selaria a solteirice do baixinho namorador Getúlio (que nunca passou de 1.60m), e a partir de então passava a ser chefe de família. A união não foi constituída na Igreja Católica, por quem Getúlio não nutria grande apreço, seguidor que era da doutrina positivista, mas tão somente lavrada em cartório. Há 100 anos, moças podiam casar a partir dos quinze, quase uma aberração nos dias de hoje. De qualquer maneira, tamanha diferença de idade e maturidade denotariam que não seria uma união cálida, mas protocolar, apesar de extremamente fértil. Em um período de seis anos, já aos 21, Darcy Vargas era uma jovem senhora com cinco filhos: Lutero, Jandira, Alzira, Manuel e Getúlio Filho. Alzira, a terceira, era a preferida do pai.

“Vencer não é esmagar ou abater pela força todos os obstáculos que encontramos – vencer é adaptar-se”, repetiria certa vez Getúlio ao seu filho mais velho, complementando:” adaptar-se não é o conformismo, o servilismo ou a humilhação; adaptar-se quer dizer tomar a coloração do ambiente para melhor lutar”. Tal qual o episódio do umbuzeiro, esse lema retrata o posicionamento de Getúlio diante dos desafios que a política lhe reservava. Ao longo dos treze anos seguintes à sua primeira eleição como deputado estadual, Getúlio assumiu gradativamente a figura de maior expoente ‘Borgista’ do estado, líder da bancada do caudilho presidente, com quem mantinha uma relação respeitosa, mas às vezes ambígua. Foi o maior defensor da intervenção estatal nos serviços públicos, diretriz que seria o legado de sua era, duas décadas depois.

Na eleição para presidente estadual de 1922, Borges de Medeiros não alcançara os três quartos do eleitorado que lhe garantiria a recondução para o seu quinto mandato. Getúlio, então presidente da Assembléia dos representantes, receoso de transmitir a notícia ao velho caudilho, providenciou uma recontagem de votos que proporcionaria a margem necessária para que Borges fosse reempossado sem contestações. A fraude entrou para o anedotário político regional. O conceito de democracia em uma República ainda em sua infância, dominada de cabo a rabo por oligarquias locais, era contaminado ao ponto de situações como essa não serem atípicas. Mesmo que seguindo práticas corriqueiras para seu tempo, pode-se dizer que Getúlio ajudou a fraudar eleições. Hoje, tal atitude implicaria em crime de responsabilidade, e com um pouco de sorte, cadeia aos envolvidos. Evoluímos.

Em Outubro de 1922, aos 40 anos, Getúlio foi alçado ao cargo de deputado federal pelo RS, cumprindo um ano de mandato tampão, em substituição a um congressista falecido. A nomeação, chancelada pela Assembleia, gerou polêmica, pois a vaga supostamente pertencia à minoria de oposição a Borges de Medeiros. Foi assim, cercado de controvérsia, que Getúlio faria sua estreia na capital federal. Naquele momento, seria inconcebível crer que um simples deputado sulista seria o artífice da queda da República do café com leite, instalada no Brasil em 1889 e que perduraria até 1930, alternando mineiros e paulistas na presidência da República. Certamente, nem o próprio Getúlio conceberia tal situação. Os oito anos seguintes trataram de criar as circunstâncias para a sua ascensão vertiginosa.

Getúlio passou as 36 primeiras sessões na Câmara calado. Como discípulo de Borges de Medeiros, alvo de ataques na capital federal por sua atitude repressiva em uma revolta federalista nos pampas, em sua estreia na tribuna defendeu os atos do seu mentor. ” Está claro que só é possível reprimir a violência com violência, e não com flores, de jardim ou retórica, adaptando sensatamente a natureza do remédio à do mal”. Sua oratória foi considerada medíocre, passando praticamente desapercebida. “Atarracado e mau declamador, leu uma arenga fastidiosa”, registrou o deputado Azevedo Lima, em suas memórias. A má impressão foi dissipada no mês seguinte, ainda na contenda sobre a situação no sul, em um discurso arrebatador, repleto de apartes, réplicas e tréplicas, quando Getúlio portou-se como legítimo cão de guarda do ‘borgismo’. Despontava a partir dali o maior expoente da bancada gaúcha na Câmara. A solução final da peleja no Rio Grande passou por uma intervenção direta do então presidente Artur Bernardes, tamanha foi a repercussão dos desmembramento da revolta. Ficou acertado que Borges de Medeiros, que manteve-se no poder ao longo de onze distintas presidências da República, não mais poderia reeleger-se em 1928. Até lá, Getúlio teria ampliado sua envergadura e se tornaria o candidato natural à sucessão gaúcha.

 

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Pelos idos de 1924, surgiu no Brasil o movimento tenentista, que apregoava que diante da ‘corrupção atávica das elites civis e da presumida passividade das classes populares, caberia aos militares a condição de árbitros supremos da sociedade. Autoritários, rejeitavam a ação política de partidos e apoiavam a revolução como a única forma possível de promover uma mudança efetiva”. Em pouco tempo, seu maior expoente seria Luis Carlos Prestes, futuro líder do PCB. Rebeliões pipocaram em vários pontos do Brasil e foram particularmente intensas em São Paulo, onde a repressão ao movimento causou 500 mortos e mais de 5000 feridos. Getúlio manteve-se como incansável defensor do governo. Desprezava o caráter revolucionário do tenentismo. ” Não é uma revolução, é uma mazorca”.

Durante seu mandato, Getúlio liderou o movimento na Câmara que derrubou duas emendas controversas: uma que instituía o catolicismo como religião oficial do Brasil e outra que obrigava o ensino religioso nas escolas. Também foi um incansável defensor do federalismo e da autonomia dos estados, contrariando a tendência centralizadora de Artur Bernardes. “Não é possível nenhuma organização central forte em um país de base física vasta, de baixa densidade e de circulação rudimentar”, discursou certa vez no Congresso. Deixava de ser um deputado provinciano e ganhava dimensão nacional. Ironicamente, o Estado Novo, instaurado uma década depois por Getúlio, era a antítese do que ele defendia naquele momento.

Aproximava-se a hora da sucessão de Artur Bernardes, presidente que praticamente cumpriu todo seu mandato sob estado de sítio. O senador Washington Luis, fluminense de Macaé, mas com a carreira construída em São Paulo, seria seu sucessor. Para constituir uma base de apoio, precisava-se na época distribuir postos importantes aos estados (não aos partidos, como hoje) e os rumores de que Getúlio seria candidato natural a um ministério ganhavam força. Ele, como de praxe, tergiversava. “Esse gaúcho é mineiro”, dizia Pedro da Costa Rego, governador de Alagoas e ex-colega no Congresso Nacional.

Presidente eleito ao final de 1926, Washington Luis decidiu agraciar o Rio Grande do Sul com o ministério da Fazenda, tornando o então líder da bancada gaúcha, Getúlio Vargas, seu ministro. O bombardeio por causa da nomeação de um leigo em assuntos financeiros foi inevitável. Boa parte da imprensa não perdoou o fato. Dizia-se que o novo ministro levaria o Brasil ao abismo.

Leigo em economia, mas mestre em política, GV gostava de cercar-se de intelectuais e artistas. Eis uma das razões que o ajudou a construir o mito de pai dos pobres em um futuro não muito distante. Em seu período como ministro, facilitou um empréstimo de Assis Chateubriand  junto ao Banco do Brasil para fundar a revista ‘O Cruzeiro’; aproximava-se então daquele que seria o maior magnata da mídia nacional. Hoje, é provável que sofresse acusações de tráfico de influência. Apesar do pecadilho, sua fama de austero era notória inclusive para detratores. Uma de suas primeiras medidas como ministro foi chamar de volta ao trabalho 630 funcionários fantasmas lotados no Ministério em regime de mamata. Tampouco permitia que seus filhos fossem transportados em veículos oficiais ou desfrutassem de qualquer vantagem decorrente do cargo que o pai ocupava.

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Ao final de 1927, decidiu abandonar a função de ministro para concorrer ao governo do Rio Grande do Sul. Não era o candidato preferido de Borges de Medeiros, mas o velho caudilho já não conseguia dominar as circunstâncias, às vésperas de sua aposentadoria. Getúlio conseguiu se impor como moderado e ser aceito pelos opositores locais. Sua personalidade afável e grande perspicácia política permitiam que ele transitasse para fora de suas fronteiras ideológicas, assimilando sem dificuldades a ambiguidade e o contraditório. O novo presidente do Rio Grande do Sul já era uma figura de primeiro escalão na jovem república brasileira.

” O senhor tem inimigos?”, perguntaria um dia seu biógrafo Emil Ludwig.

” Devo ter, mas não tão fortes que não possa torná-los amigos”, responderia.

” E amigos?”, insistiria Ludwig.

” Claro que os tenho; mas não tão firmes que não venham a se tornar inimigos”, replicaria Getúlio.

A partir de 1929, a sucessão de Washington Luis tornava-se o principal assunto nos meios políticos nacionais. O presidente, contrariando a normalidade do rodízio estabelececido na política do café com leite, tinha no paulista Julio Prestes o seu preferido para sucedê-lo, frustrando as expectativas de Minas Gerais, cujo chefe do governo, Antonio Carlos Andrada, nutria esperanças de que fosse o nome da vez. Essa celeuma aproximou mineiros e gaúchos, e colocou GV como a ‘noiva cortejada’ por todos, inclusive pelos paulistas. A princípio, tê-lo como candidato a vice seria um tremendo ativo, quem quer que fosse o cabeça de chapa. Getúlio, comedidamente, subia no muro:” Postergar uma luta incerta é sempre uma vitória. Mantenhamos uma atitude discreta e deixemos que os acontecimentos sigam seu curso natural”. A bancada gaúcha, liderada por João Neves da Fontoura e Osvaldo Aranha tinha outros planos: lançá-lo candidato a presidente, desafiando o status quo. Sorrateiramente, Getúlio mantinha-se neutro, receoso de contrariar o antigo chefe e aguardando o desenrolar dos acontecimentos. Essa irritiante paciência e o pendor para fingir-se de morto até o último instante  irritava profundamente seus aliados, que insistiam por um posicionamento mais assertivo.

Seguiam-se as articulações de bastidores. Washington Luis fez vazar uma carta ambígua de GV para ele (como de praxe), onde cautelosamente não se posicionava em relação à candidatura, mestre que era em dosar as palavras para não se comprometer. Isso não parece atual? A mídia governista passou a tratá-lo como traidor, particularmente em São Paulo. Para seguir em frente, a candidatura de Getúlio articulou apoio do movimento tenentista, condicionado à anistia aos revoltosos que estavam presos e à instituição do voto secreto. Getúlio começaria sua caminhada rumo à presidência fazendo alianças com quem antes rechaçava; nada mais atual.

Egressa dos bastidores e finalmente oficializada, a Aliança Liberal, constituída pelo alinhamento entre Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba, lançava oficialmente a candidatura de Getúlio Vargas e João Pessoa para presidente e vice da República. A bandeira da Paraíba até hoje contém a palavra ‘nego’, conjunção do verbo negar, simbolizando a recusa em apoiar Julio Prestes e o rompimento da política café com leite. GV e JP falavam de transformação política e modernização do estado, embora fossem eles próprios crias das oligarquias regionais.

Apesar de minoria, a Aliança Liberal ganhava adeptos no parlamento, 16 x 52 no Senado e 74 x 138 na Câmara. Era golpeada pela majoritária imprensa governista que a alardeava como um verdadeiro saco de gatos. Os discursos proferidos por Getúlio passaram a ser decifrados nos detalhes e suas ideias sobre ‘primazia dos direitos da sociedade sobre o direito dos indivíduos, o alargamento do poder do estado e a intervenção do domínio da liberdade industrial’ o aproximavam do ideário facista, coqueluche da época, instaurada por Benito Mussolini na Itália. Segundo seus detratores, a candidatura de Getúlio seria apenas a ‘ fachada legalista para se ocultar a gênese de um movimento de tomada de poder pela força’.

Entre sístoles e diástoles de uma campanha que experimentou dificuldades financeiras e a opressão do governo, a Aliança Liberal, apesar da tentativa de romper com a estrutura de poder vigente, foi derrotada nas urnas, por uma diferença de 1.1M x 0.75M de votos, com vitórias somente no RS, MG e PB, estados que a compunham. GV retornou a sua rotina de presidente gaúcho, resignado.

Em 26.07.30, João Pessoa foi assassinado por um adversário político, acirrando a movimentação golpista que desanuviava no horizonte, congregando os derrotados nas eleições e uma parte do exército, insatisfeita com o rumo do país, vitimado pela grave crise econômica que abalou a saúde financeira dos cafeicultores, pilar da economia brasileira. Getúlio, opção natural para a tomada de poder, como de praxe, relutava em assumir a dianteira do movimento.

Em 03.10.30, as tropas federais situadas no RS foram rendidas e também na capital federal o movimento das tropas se predispunham a derrubar o governo de Washington Luís, fato que se deu a 22 dias do fim do seu mandato, quando foi deposto por um golpe militar, assumindo provisoriamente o governo uma junta militar formada por dois generais e um contra-almirante. Em 03.11.30, a junta entrega o poder a Getúlio Vargas, que assume oficialmente a presidência do Brasil, sob a aclamação popular e desconfiança do sistema de poder até então estabelecido.

GV foi um golpista. Recebeu dos militares que o apoiaram o poder que não arrebatou pelas urnas. É bem verdade que à época, as frágeis instituições republicanas brasileiras não estavam acostumadas com os princípios básicos de uma democracia. As fraudes eram lugar comum e nem de longe o poder constituído representava a vontade popular. A República do café com leite, construída sobre os escombros de um Império esclerosado, não conseguiu imprimir as transformações que o incipiente Brasil urbano necessitava e gradualmente foi caducando. Talvez a gota d’água tenha sido a precipitação de Washington Luis em desrespeitar o acordo de cavalheiros, preterindo Minas Gerais em favor de São Paulo, o que acelerou o advento da Aliança Liberal e transformou GV em líder nacional, mas seu esfacelamento era inevitável. Getúlio surfou a onda. Era a novidade no momento em que a oligarquia tradicional ruía. E ascendia ao poder em um período mundialmente turbulento, onde regimes autoritários ganhavam força na Europa e a crise financeira atingia o gigante norte-americano. Governaria o Brasil pelos 15 anos seguintes. Um tempo repleto de crises e conspirações, no qual se apresentaria à história o nosso primeiro líder de massas, populista e popular.

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