Um domingo, uma geração

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Esse ano, mal escrevi. O Brasil me tirou inspiração. Nossa economia, lançada no abismo por um grupo incompetente e corrupto, definha como as de países em guerra e está imersa na mais longa recessão da história. Diariamente, somos expostos às práticas que os governantes de plantão exercem para se manter no poder. Bilhões em propinas. Dinheiro recolhido de uma das mais altas cargas tributárias do mundo e que jorrou nos cofres de empreiteiras, políticos, doleiros e intermediários diversos. Enquanto isso, no mundo real, os governos são incapazes de fazer o mínimo, o básico. Alegam que lhes falta dinheiro, não reduzem custos, só falam em aumentar impostos. Mudanças estruturais não fazem parte de nenhuma agenda.  O cenário é desolador.

Eis que um ensolarado Domingo de outono pode nos proporcionar um sopro de esperança. Não vamos nos iludir, porém, quanto ao imediatismo de um desfecho positivo amanhã. A jornada é longa e seria capitaneada pelos fiadores daqueles que nos trouxeram até aqui. Pouco confiáveis, sem dúvida. Mas é o que temos para hoje. O PMDB já enviou há alguns meses algumas recomendações de como ajustar o rumo da economia, muitas delas bastante razoáveis, todas ignoradas. Ciente da situação falimentar do estado brasileiro, dificilmente se lançaria em aventuras populistas, que são o tom do discurso do Marechal  Jararaca, futuro mandatário de fato, caso a derrocada do governo não se inicie amanhã.

Se um terço do Congresso endossar a manutenção do status-quo, iremos conviver com mais dois anos e meio de caos econômico, e sabe lá em que estado chegaremos em 2018. O risco de uma convulsão social é alto, gerada não pela gritaria de movimentos sociais aparelhados pela boquinha estatal, mas pelo contingente de milhões de desempregados e dezenas de milhões de inadimplentes, cada vez mais sem saída em um ambiente inflacionário e altamente recessivo. Alguns podem argumentar, com certa razão, de que esse seria o custo a ser pago por nossas escolhas erradas, o que não deixa de ser verdade. Só que ele é alto demais. Em termos práticos, poderiam ser dois anos a mais que nos custariam o esforço de uma geração. Com um pouco de sorte, chegaríamos em 2025 nas condições que tínhamos em 2012, ou algo dessa magnitude.

O outro caminho, também tortuoso, começaria com um sinal claro aos administradores públicos: a falta de zelo com o dinheiro do contribuinte é crime. Parece pouco, mas é muito. Vejo muitas publicações argumentarem que o crime de responsabilidade cometido pela presidente não é relevante suficiente para seu impedimento. Eis uma posição tipicamente tropical, a tolerância com pequenos delitos, que no fundo é uma das razões pelas quais vivemos em uma sociedade onde crimes são cometidos impunemente, de todas as magnitudes. E nem é esse o caso. As pedaladas foram gigantescas, cinquenta vezes maior do que o usualmente praticado em gestões anteriores, desde que a lei da responsabilidade fiscal foi promulgada. Um desrespeito gigantesco à lei e às boas práticas de gestão.

Além disso, hoje não é mais novidade para ninguém os métodos utilizados pelo lulopetismo para se manter no poder. Apeá-los de lá seria uma vitória simbólica da indignação sobre esse tipo de política do vale-tudo. Mas com o PMDB, outro beneficiário do esquema? Pois é, nem tudo é perfeito. A vigília deve permanecer e a esperança é que em um ambiente altamente monitorado, as velhas raposas peemedebistas não causem mais dano ao nosso combalido país e conduzam uma transição sem sobressaltos ao ano em que de fato iremos tomar as rédeas do nosso destino: 2018.

O que está em jogo amanhã, portanto, é o tempo. Quanto tempo a mais de agonia desejamos para o nosso país? Que ele será longo, é fato. Mas pode ser encurtado ou estendido. Com a palavra, o Congresso.

 

 

 

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    Márcia

    16 de abril de 2016 em 17:51

    “Com a palavra, o Congresso”….terminei de ler o texto com a mesma sensação que comecei….Medo!!!

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