O eterno embate entre curto e longo prazo

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Difícil encontrar na atualidade um conflito maior que o travado entre os interesses de curto e longo prazo, em praticamente qualquer ramo de atividade. Ouso dizer que ambos são inimigos mortais e que sua convivência pacífica, quando ocorre, é absolutamente efêmera.

No curto prazo, gastamos. No longo, poupamos.

No curto prazo, a euforia. No longo, a calmaria.

No curto prazo, o prazer. No longo, o saber.

No curto prazo, a corrida. No longo, a caminhada.

No curto prazo, a festa. No longo, a sesta.

No curto prazo, a paixão. No longo, o amor.

No curto prazo, o ‘market share’. No longo, o lucro.

No curto prazo, a recompensa. No longo, o risco.

No curto prazo, o risco. No longo, a recompensa.

No curto prazo, você. No longo, os outros.

No curto prazo, o futuro não importa. No longo, o futuro acabou.

Muito provavelmente as decisões que tomamos na vida são pautadas por um balanço entre as visões de curto e longo prazos. Desequilíbrios causam efeitos colaterais. Quem se inclina a viver  sob um olhar puramente imediatista seguramente derrapará nas curvas do destino, ferindo-se. Quem se posiciona no espectro oposto, preparando-se eternamente para a colheita futura, corre o risco de não desfrutá-la quando vier, além de ter que conviver diariamente com o tédio de suas escolhas.

Esse conflito permanente entre as distintas ‘filosofias’ pode explicar muitas agruras do cotidiano, tanto no sentido individual, como no coletivo.  O Brasil, por exemplo, vive hoje seu inferno astral, que talvez seja consequência das escolhas de uma sociedade que historicamente foca seus objetivos no curto prazo, no máximo até o próximo carnaval. Essa tendência em buscar a recompensa imediata invariavelmente traz uma salgada conta a pagar…

O segredo está no equilíbrio.

 

1 Comment
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  1. Márcia

    31 de janeiro de 2015 em 08:07

    “O segredo está no equilíbrio “? E qual é o segredo do equilíbrio?

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