Vídeo documentário ‘Memórias de uma vida especial’: da concepção à realização

Durante o período de organização do livro sobre o meu pai, descrito em artigo anterior, me dei conta de que tínhamos material suficiente para criar um vídeo sobre a obra, e aquilo ficou na minha cabeça como mais uma ideia a ser desenvolvida, daquelas que ficam à espreita de uma oportunidade para se concretizar.

Em Junho/2012, interagi com uma empresa de produção e edição de vídeos em um evento corporativo. Foi quando a ideia, até então aguardando vez no estacionamento das ações a serem executadas, voltou à tona. Conversa vem, conversa vai, decidi criar também um vídeo documentário que fosse um espelho do livro, na época em fase final de edição.

Obviamente que por não ser do ramo, não tinha a menor condição de produzi-lo sozinho. É importante conhecer suas limitações antes de se aventurar em uma empreitada desse tipo. Tal qual o livro, desejava um produto de qualidade superior. Se fosse para elaborar algo ´meia-boca´, melhor que nem começasse.

E assim compartilhei o projeto com Adriana Castanho (Vendo Vídeo), que envolveu mais quatro pessoas de sua equipe expandida: Pamela Cancino, Ricardo Pasqualin, Rodrigo Rapp e Guilherme Queiroz. Como no livro, onde tive a felicidade de me deparar com a Ana Cardilho e a Sonia Pedrosa, no caso do vídeo também contei com a sorte de encontrar profissionais extremamente competentes, que capturaram o ´espírito da coisa´ e traduziram isso para a telinha da melhor maneira possível. Para a satisfação da família, o produto final novamente excedeu às expectativas.

Essa menção é importante. Na vida, normalmente nossos êxitos são coletivos. Raríssimas são as ocasiões em que alguém triunfa sozinho, sem ter o apoio de outros, muitas vezes negligenciados nas biografias das celebridades do mundo contemporâneo. As grandes ´burradas´ sim, essas na maior parte dos casos são individuais…

Voltando ao assunto principal, eu me auto-indiquei para roteirista do vídeo. Considerando minha atividade de ´pseudo-blogueiro´ nas horas vagas, parecia ser uma tarefa relativamente simples. Nem tanto. Há todo um procedimento na elaboração de um roteiro que desconhecia, como leigo que sou no assunto. Cada parágrafo do texto, escrito no lado direito da página, deve ser associado às fotos, imagens ou trilha sonora, compiladas no lado esquerdo. Tudo deve estar extremamente bem detalhado e conectado antes que o trabalho de edição seja iniciado. Como a minha praia é mais ´escrever´, saí redigindo o que eu gostaria de ver, para que depois buscássemos a associação das imagens. Marinheiro de primeira viagem, concebi um texto inicial que excedia 40 minutos de locução. Inviável.

Comecei a cortar. Corta daqui, corta dali…chegamos a pouco mais 15 minutos. Já era possível começar. Havia mais outros seis com os depoimentos da família, e a meta era que a duração final fosse ao redor de 20 minutos, para que o vídeo não ficasse cansativo. Em paralelo, foi feita a seleção de fotos e imagens. Havia dois problemas: alguns trechos, principalmente aqueles relacionados aos anos 70, não continham fotos suficientes, o que dificultaria a vinculação da locução. Também a etapa final não estava muito rica, situação contraditória, visto que as câmeras digitais se popularizaram muito nesse século. Onde estariam os filmes das viagens, com os netos, etc?

O primeiro problema foi resolvido parcialmente com o envio de mais algumas dezenas de fotos antigas e a tal associação com a locução ficou razoável. Uma ou outra foto teve que ser repetida, mas isso não prejudicou a qualidade final. A ausência de cenas do século XXI também foi solucionada, graças à grande atenção feminina aos detalhes. A Adriana, produtora do vídeo, percebeu em um dos filmes que tinha em mãos, uma cena em que alguém gravava meu pai de lado, impossibilitando que fosse utilizado no documentário, mas ao mesmo tempo notou meu irmão gravando-o de frente com uma câmera digital. Ou seja, esse vídeo havia de existir em algum lugar, e com ele muitos outros!

Havia material adicional que não estava nas mãos da produtora. Indagada sobre essa situação, minha mãe lembrou-se que guardava várias dessas fitinhas de vídeo (já da geração anterior às câmeras atuais) dentro de uma gaveta em algum canto da casa. Eram doze ao total, com as mais diversas imagens. Com elas, foi possível construir a parte final do documentário.

Também aprendi que se deixa a trilha sonora por último. Aliás, a percepção sobre um vídeo muda completamente quando você o assiste com a trilha. E nesse caso, a nossa preocupação foi não deixá-lo triste. Afinal, o filme naturalmente nos despertaria saudade, e ela deveria vir desacompanhada da tristeza.

Saudade com tristeza daria um tom muito nostálgico e claramente não era a nossa intenção. Esse objetivo foi cumprido, como poderá ser observado por quem o assistir. Concluídos todos os aspectos da edição, temos um vídeo documentário de quase 24 minutos, que intercala locução, depoimentos, fotografias, trechos de filme de super-8, de celular e de filmadora digital, acompanhados de uma trilha sonora absolutamente relacionada à vida do meu pai. Trata-se de um resumo cinematográfico do livro. Uma obra que até meus tataranetos poderão acessar, pois estará guardada para sempre na ´nuvem´, e com ela conhecerem um pouco da sua própria história.

Com o livro e vídeo finalizados, concluo o principal objetivo pessoal do ano e retribuo com essa homenagem, ainda que muito pobremente, o privilégio de ser filho de quem sou.

Obrigado, pai.

3 Comments
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3 Comentários

  1. sonia pedrosa

    29 de outubro de 2012 em 09:41

    Victor, Dr. Carlos deve estar muito feliz com tudo o que vocês promoveram. A festa foi linda, uma verdadeira celebração à vida e a tudo o que ela é capaz de nos dar. Seus filhos, netos e bisnetos terão orgulho do avô e serão eternamente agradecidos a vocês por terem eternizado a história do Dr. Carlos.
    Grande abraço a todos!
    sonia pedrosa

  2. Alberto Duarte

    29 de outubro de 2012 em 12:08

    Caro Victor:
    Que beleza! Parabens pela iniciativa.
    Grande abraco.
    AD

  3. Maria Cristina Mendonça de Barris

    14 de abril de 2013 em 10:07

    Bonito Victor.
    A ligação amorosa com os pais e o reconhecimento de sua importância nas nossas vidas e fundamental para sermos pessoas melhores.
    Abraço
    Cristina

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